quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Cochilo da Genética

Em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, chega ao mundo um casal de gêmeos, e a genética teve o descuido de cochilar, na hora do nascimento dos mesmos.
Reinaldo e Maria do Carmo, nomes bem tradicionais para os moradores da roça, pois os pais Marcílio Pereira e dona Carlota, que queriam que os gêmeos fossem homens, sentiram um pouco de frustração, pois queriam dois homens para ajudarem a administrar a fazenda que Marcílio possuia, mas Maria do Carmo, orientada pelo marido ainda quando pequena, trajava a menina como se fosse menino, calçava botas, calça jeans, e chapéu de couro.
Marcílio, ou Marreta, como era conhecido, devido ser cabeça um dura, dono da verdade, e como achava que sua filha, ainda no últero da mãe fosse homem iria chamar-se Bartolomeu, em homenagem ao pai, e Reinaldo, em homenagem ao avô, sua mãe, após o nascimento, batizou a menina com o nome de Maria do Carmo, e apelidaram-na de Bartira.
Reinaldo tinha todas as regalias, seu cavalo, era um Garanhão preto, alto, com as patas dianteiras brancas, marchador, um belo espécime. Marreta levava seu filho a todos os lugares aonde ia, exibindo o mesmo, estufando o peito, dizendo ---- “esse é machão da famia” (família), Marreta não tinha estudo, seu pai não o deixara estudar, pra trabalhar na Fazenda Caveira, e ele usava esse método também com seus filhos, pois só tinham estudado até o primário. A Fazenda Caveira era enorme tinha cerca de 100 alqueires Mineiros, só dava pra andar na Fazenda de ponta a ponta de carro demorando uns 15 minutos ou a cavalo uns 30 minutos.
Bartira trabalhava demais, possuia um cavalo malhado, de cores marrom preto e branco os cavaleiros o chamavam de (Pampa), e Marreta ensinara a moça a trabalhar na fazenda e a obrigava a laçar boi, tocar gado, arriar cavalos e tirar leite e obrigou a menina aprender a tocar berrante, quando via a menina defronte um espelho se maquiando, gritava com ela ----- “tira isso da cara”, A menina cresceu com aquele trauma e o velho Marreta vivia aos berros com ela. Fazia a menina ir sozinha à cidade vizinha, fazer compras, porque Reinaldo não largava de seu pé.
Quando tinha aqueles bailes de forró nas redondezas, com acordeom, triângulos e zabumba, Reinaldo ia a caráter, chapéu de couro, botas carrapêta, e até um punhalzinho de 18,01 centímetros que Marreta lhe dera, pois já estava com 15 anos.
Tinha estudado até 11 anos e seu pai lhe tirara da escola para aprender as coisas, da fazenda, veja só o tamanho da ignorância,------Ocê tem que aprendê o sirviço pa ficá no meu lugá quando eu morrê, dizia Marreta, O serviço mais pesado da fazenda era bartira quem executava, até consertar cerca era ela quem fazia, Bartira estava se desenvolvendo muito rápido, já era mocinha e seu pai nem se preocupava com a feminilidade da filha, ignorava isso, mesmo um dia que Bartira, conheceu um rapaz da fazenda vizinha e já estavam se envolvendo, mas um dia seu pai flagrou-os conversando, esbravejou ( suma daqui) e com a maior estupidez e com palavras de baixo calão, humilhou o rapaz, Sua filha já estava com 18 anos e montava seu animal como ninguém, domava potros bravos,
Arava terra dirigindo tratores, consertava telhados do paiol, quando a chuva e o vento forte descobriam.
A mãe de bartira, dona Carlota, disse a Marreta certa vez que a moça trabalhava demais, e o mesmo dizia “vai cuidá da cozinha, que dos fios cuido eu” Reinaldo tinha um amigo, filho do Retireiro que trabalhava na fazenda de seu pai, e saiam para as festas jogavam baralho, e caçavam juntos, os dois tinham um sonho de um dia estudarem na cidade grande, e Marreta sempre barrava, dizendo que tinha que ajudar na fazenda.
E aquela mocinha, sempre chorava pelos cantos da casa da Fazenda Caveira,pois não era essa vida que queria, pensava em casar e ter filhos, morar em uma casa na cidade etc. de vez em quando, dava uma fugidinha na casa de uma amiga que conhecera na Cidade Alta, um lugarejo próximo à fazenda, que ficava a 10 minutos de carro, ou 20 minutos de cavalo.
Seu nome era Priscila, juntamente mais duas irmãs, moravam com os pais, tinha os cabelos loiros, era alta, estudava o segundo grau, gostava muito de musica romântica e, tinha até uma coleção de temas de novelas, Marreta certa vez, quando patrocinava um rodeio de cavalos e touros,viu quando a filha saiu de mansinho de onde estava sentada, e seguiu-a, pois já estava desconfiado das fugidinhas da mocinha e viu quando sua filha encontrou com Priscila, e que saíram da cidade, Bartira levava a amiga na garupa de seu cavalo, e quando chegaram a certo ponto da cidade, desceram do cavalo e se sentaram a beira da estrada, debaixo de uma arvore e tamanha fora sua surpresa , quando sua filha acariciava os cabelos loiros de sua amiga, e beijou-a intensamente seus lábios como se fosse um rapaz.
Marreta que era um cara durão, ficou estarrecido e começou a chorar, pois nunca tinha presenciado tamanha pouca vergonha, pensava ele, montou em seu cavalo e voltou para o rodeio, cabisbaixo e decepcionado com o que viu.
Aquele dia foi o dia mais infeliz da sua vida, pois queria outro filho homem, mas jamais uma filha que tinha virado homem, ou fazendo o lugar de homem, pensava ele.
Quando chegou ao rodeio, sentou-se onde estava anteriormente, sem prestar atenção na festa, pois não tirava aquela cena da cabeça.
Passaram-se uma hora e meia, e Bartira chegou , sentou-se a seu lado, sem dizer nada, Marreta também não disse nada, pois lhe faltava força e voz para dizer algo.
Foram para casa, e no dia seguinte foram trabalhar normalmente, e Marreta deixou pra lá aquela coisa que o decepcionava tanto, não tinha força moral para falar nada, pois até uma amizade com um garoto que sua filha tinha feito certa vez, Marreta tinha destruído.
Passaram-se alguns meses e Marreta já estava se esquecendo daquilo, quando foi ao paiol buscar ração pra misturar ao coxo para o gado, quase desmaiou, pensou ----agora danou-se, como pode acontecer tudo de ruim comigo? Deparou-se com uma cena que jamais iria se esquecer, aquele seu braço direito, seu filho homem, o machão da casa fazendo sexo com seu amigo Alencar, o filho do retireiro, que trabalhava em sua fazenda, e olha que Alencar era ativo e seu filho era passivo.
Marreta chegou perto, mas não disse nada, mais uma vez faltavam-lhe forças para dizer algo, mas os dois se assustaram e saíram correndo, e mais tarde Marreta começara a passar mal e foi socorrido ao hospital de Cidade Alta, com uma palpitação que os médicos não conseguiam diagnosticar os motivos, onde se encontrava internado a cinco dias, e no final de cinco dias, não fora dado alta para Marreta, pois entrou em coma profunda, morrendo no dia seguinte.
Marreta teve um enterro com muita gente, pois era um cara muito estúpido, mas tinha certo carisma. Sua mulher não se contentava com aquela morte, pois Marreta era um homem muito forte, nunca tinha adoecido, nem gripe tinha tido em toda sua vida.
Passaram-se alguns meses, e Reinaldo assumiu o lugar de seu falecido pai, colocou seu amigo Alencar no lugar de seu pai, trabalhando como retireiro, e o pai agora é seu braço direito, trabalhando como capataz da fazenda.
Bartira, sua irmã querida assumira o comando dos rodeios que seu pai tanto gostava, e mandou construir uma bela casa bem grande, ao lado da casa da fazenda, trazendo Priscila para morar com ela na nova casa.
A quem possa interessar:
Essa coisa de amor, não se desenvolve conforme queremos, isso Reinaldo e Bartira, ou Maria do Carmo podem dizer, O Amor entra na vida da gente, sem tomar Partido, Raça, Sexo, ou Cor, Domina tudo, e sem preconceito, deixa pra traz uma alegria muito grande ou um estrago enorme.

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